Parnaso

Estética Cristã

12. And it was told king David, saying, The Lord hath blessed the house of Obededom, and all that [pertaineth] unto him, because of the ark of God. So David went and brought up the ark of God from the house of Obededom into the city of David with gladness.

13. And it was [so], that when they that bare the ark of the Lord had gone six paces, he sacrificed oxen and fatlings.

14. And David danced before the Lord with all [his] might; and David [was] girded with a linen ephod.

15. So David and all the house of Israel brought up the ark of the Lord with shouting, and with the sound of the trumpet.

16. And as the ark of the Lord came into the city of David, Michal, Saul’s daughter, looked through a window, and saw king David leaping and dancing before the Lord; and she despised him in her heart.

17. And they brought in the ark of the Lord, and set it in his place, in the midst of the tabernacle that David had pitched for it: and David offered burnt offerings and peace offerings before the Lord.

18. And as soon as David had made an end of offering burnt offerings and peace offerings, he blessed the people in the name of the Lord of hosts.

19. And he dealt among all the people, [even] among the whole multitude of Israel, as well to the women as men, to every one a cake of bread, and a good piece [of flesh], and a flagon [of wine]. So all the people departed every one to his house.

20. Then David returned to bless his household. And Michal the daughter of Saul came out to meet David, and said, How glorious was the king of Israel to day, who uncovered himself to day in the eyes of the handmaids of his servants, as one of the vain fellows shamelessly uncovereth himself!

21. And David said unto Michal, [It was] before the Lord, which chose me before thy father, and before all his house, to appoint me ruler over the people of the Lord over Israel: therefore will I play before the Lord.

22. And I will yet be more vile than thus, and will be base in mine own sight: and of the maidservants which thou hast spoken of, of them shall I be had in honour.

23. Therefore Michal the daughter of Saul had no child unto the day of her death.

Já aconteceu mais de uma vez de eu receber como resposta, logo após ter criticado o entusiasmo desenfreado de alguns cultos protestantes, os versículos acima, do segundo livro de Samuel (sexto capítulo). Ou isso ou o quarto provérbio do 14, Provérbios: Where no oxen are, the crib is clean: but much increase is by the strength of the ox.

A idéia, como parece ficar claro, é que se quisermos espalhar a palavra de Deus pode ser necessário suportar certa dose de aviltamento; abrir mão de um ou outro tipo de dignidade terrena; despir-se das vestes reais e ter com o povão. A opinião pública, dirão com razão, não é o nosso Deus. Ou isso ou a esterilidade (pelo menos na King James Bible, a causalidade fica explicitada com o ‘therefore’ do verso 23).

O provérbio fala da nossa muito comum mania de ‘limpeza’, da força que se desperdiça em nome dela. O culto mais febril seria uma maneira de libertar-se das convenções, da opinião pública etc. e deixar patente que há uma mensagem que todos podem e devem conhecer.

A interpretação do primeiro trecho me parece perfeita, tanto que nada tenho a acrescentar. O problema com a leitura do provérbio é que, assim como normalmente acontece com leituras de comparações envolvendo animais, ela não considera que não somos animais. O boi vai sempre fazer sujeira, mas nós não necessariamente. Aceita-se de bom grado a sujeira do boi porque ele não poderia fazer diferente.

Está claro que, dependendo da situação, a sujeira pode ser necessária, estejamos nós falando de bois ou humanos. Nesses casos não há o que objetar. Mas seria o culto um desses casos? Essa conversa de que o culto amalucado seria uma maneira de libertar-se da opinião pública soa como qualquer discurso de afirmação: um tanto ridículo. Se a intenção é dar à opinião pública a sua devida importância (pouca ou nenhuma), por que diabos pautar o culto (que, de resto, é dirigido a Deus, não a nós) em nome dela? É mais ou menos como sujeito que não quer acordar às 10 horas e ajusta um aviso sonoro, altíssimo, às 10 horas: ‘lembrar de não acordar às 10 horas’.

Não sou a priori avesso ao entusiasmo, apesar de achar que a circunspecção tem tudo a ver com esses momentos (pelo jeito não só eu, a julgar pelas composições sacras desde sempre até 100 anos atrás) — lembrando que Davi não estava num culto dominical, mas comemorando por um bom, e excepcional, motivo. Sou avesso, sim, a velhos e marmanjos saltitando ao som de um rock’n’roll evangélico improvisado. É no mínimo curioso ter de avisar isso logo aos cristãos, herdeiros da maior tradição estética de que se tem notícia. É a nossa crise de esquecimento em uma de suas manifestações mais melancólicas.

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Histórico de Preguiça

Este blog tem um belíssimo histórico de preguiça. Procurei escrever uma ode ao ócio a cada vez que ficava de férias (aqui e aqui). Está claro que isso não poderia durar para sempre.

Agora que minhas férias foram sacrificadas, posso ao menos verificar algo de que desconfiava desde há muito: o sujeito ocupado demais pensa muito pouco. Claro que esse meu ‘ocupado’ diz respeito a ocupações hodiernas; Tucídides não pensou menos por ter participado da guerra do Peloponeso, antes o contrário.

As ocupações hodiernas são as que primam pela rotina, pela homogeneização, pela sistematização. A linguagem par excellence dessa nova realidade não poderia ser outra que não a linguagem de programação computacional. É o artifício que nos permite repetir indefinidamente um processo relativamente simples, sem risco de erro. Ocorre que a repetição não deixa de existir, apenas foi automatizada. Digo isso porque o funcionário está sempre sob a impressão de que tudo quanto é repetitivo é feito pelo computador, enquanto aquilo que exige espontaneidade e criatividade continua sob a jurisdição do homem. Ora, nem tudo que ainda não foi automatizado exige criatividade; muitas dessas coisas só não foram automatizadas porque ainda não surgiu alguém que soubesse fazê-lo. E a tendência é que esse alguém surja num futuro próximo.

O fato é que, no white-collar job, mesmo as tarefas ditas mais nobres são, no fundo, de natureza repetitiva. Desgraçadamente, a mente humana parece se refestelar na repetição: imprime-se um ritmo e não se fala (pensa) mais nisso. Não parece muito difícil concluir que uma tal rotina leva fatalmente ao esquecimento (o contrário do que Nietzsche entendia por memória quando dizia que o homem superior é aquele de mais larga memória). Filosofia, para Ortega y Gasset, consiste mais ou menos no constante processo de tomada de decisões que nossas vidas nos sugerem. Essas sugestões podem ser percebidas ou não, e, ao que parece, só as percebemos quando não há mais jeito.

É bem verdade que o ócio pode (estranho seria se não pudesse) levar a uma inanição mental igual ou pior. Mas pelo menos não leva a esse caminho necessariamente. Já a correria do escritório não nos deixa outra alternativa que não seguir correndo. E o que é pior: ao final do dia, ainda resta a impressão de que o tempo foi bem aproveitado. Alas, se o aproveitamento for medido em bits, não estaremos errados.

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A Perversão Feminina

A mulher está sempre à procura de boas maneiras de esconder sua perversão. Isso faz sentido: a mulher tem todo o direito de ser pervertida, só não tem direito de deixar que os outros o percebam. É natural esperar que numa época de mau gosto generalizado os estratagemas mais comumente utilizados pelas mulheres também sejam de mau gosto.

Um dos mais batidos é o cinema. Nunca (OK, pelo menos não num futuro próximo) vai ser constrangedor dizer numa mesa de bar que tal ou qual filme de Woody Allen, Almodóvar ou Bertolucci é uma maravilha (por mais que o filme seja uma porcaria). Woddy Allen, reconhecendo a necessidade premente que a mulher tem de expressar sua perversão por canais socialmente aceitáveis, escreve roteiros em que a putaria rola solta e ainda posa de intelectual. Já perceberam que só mulheres e gays admiram Allen como escritor?

Por mais que os tempos se modernizem a mulher vai sempre resguardar uma distância de segurança em relação ao homem. A mulher só poderá declarar publicamente que aprecia filmes pornográficos quando o homem inventar algum divertimento ainda mais tosco. Isso parece injusto, mas imaginem a desgraça que adviria caso resolvessem mudar as regras: as únicas razões de ser da união heterossexual seriam anatômicas (elas sozinhas são determinantes, mas estão longe de ser as únicas).

Ontem vi uma atriz pornô sendo malhada no programa da Luciana Gimenez. Se até o programa da Luciana Gimenez ainda vê algo de censurável na pornografia (não que isso seja coerente com o conteúdo do resto do programa), o mundo não está perdido.

Arquivado em:Mulheres

Quote of the day

"All differences of opinion are at bottom theological." Cardinal Manning (1808 - 1892)
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