Parnaso

Música para os pés

A música é de grande importância para os corredores, principalmente os de fim de semana, como eu. Outro dia tive de interromper inesperadamente uma corrida porque a bateria do iPod acabou. Um passatempo divertido consiste em antecipar que músicas se adaptam bem à ocasião, sem apelar, é claro, para as obviedades – música eletrônica ou com muitas repetições.

Percebi recentemente que músicas de tempo mais moderado às vezes funcionam bem, como Sympathy for the Devil e Jigsaw Puzzle dos Rolling Stones. Minha maior descoberta foi sem dúvidas a On Every Street do Dire Straits: se você conseguir sobreviver aos primeiros minutos, o ritmo final é recompensador. There There do Radiohead tem o mesmo efeito.

Em vez de medir a distância que faço num determinado tempo, ou em quanto tempo consigo percorrer certa distância, meço a distância que consigo vencer durante uma playlist. Como venho tentando melhorar meu desempenho, fiz uma mais ortodoxa dessa vez. Aí vai ela, para os curiosos:

1. Megadeth – Crush ‘Em
2. Office of Strategic Influence – Radiologue
3. Rory Gallagher – Moonchild
4. The Strokes – You Only Live Once
5. Wolfmother – Eyes Open
6. Arctic Monkeys – Crying Lightning
7. Chickenfoot – Oh Yeah

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Red Right Hand

Take a litle walk to the edge of town
Go across the tracks
Where the viaduct looms,
like a bird of doom
As it shifts and cracks
Where secrets lie in the border fires,
in the humming wires
Hey man, you know
you’re never coming back
Past the square, past the bridge,
past the mills, past the stacks
On a gathering storm comes
a tall handsome man
In a dusty black coat with
a red right hand

He’ll wrap you in his arms,
tell you that you’ve been a good boy
He’ll rekindle all the dreams
it took you a lifetime to destroy
He’ll reach deep into the hole,
heal your shrinking soul
Hey buddy, you know you’re
never ever coming back
He’s a god, he’s a man,
he’s a ghost, he’s a guru
They’re whispering his name
through this disappearing land
But hidden in his coat
is a red right hand

You ain’t got no money?
He’ll get you some
You ain’t got no car? He’ll get you one
You ain’t got no self-respect,
you feel like an insect
Well don’t you worry buddy,
cause here he comes
Through the ghettos and the barrio
and the bowery and the slum
A shadow is cast wherever he stands
Stacks of green paper in his
red right hand

You’ll see him in your nightmares,
you’ll see him in your dreams
He’ll appear out of nowhere but
he ain’t what he seems
You’ll see him in your head,
on the TV screen
And hey buddy, I’m warning
you to turn it off
He’s a ghost, he’s a god,
he’s a man, he’s a guru
You’re one microscopic cog
in his catastrophic plan
Designed and directed by
his red right hand

Não tendo lido ainda o Paradise Lost de John Milton, fico grato a Nick Cave pela referência.

What if the breath that kindl’d those grim fires
Awak’d should blow them into sevenfold rage
And plunge us in the Flames? or from above
Should intermitted vengeance Arme again
His red right hand to plague us? what if all
Her stores were op’n’d, and this Firmament
Of Hell should spout her Cataracts of Fire,
Impendent horrors, threatning hideous fall
One day upon our heads; while we perhaps
Designing or exhorting glorious Warr,
Caught in a fierie Tempest shall be hurl’d
Each on his rock transfixt, the sport and prey
Of racking whirlwinds, or for ever sunk
Under yon boyling Ocean, wrapt in Chains;
There to converse with everlasting groans,
Unrespited, unpitied, unrepreevd,
Ages of hopeless end; this would be worse.

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Muito canibalismo para um só dia

Acabo de ver o The Silence of the Lambs pela primeira vez. Confesso que há cenas bem perturbadoras, tão perturbadoras que podem até comprometer o churrasco do almoço de amanhã. Se eu por acaso vislumbrar Clarice Starling tentando salvar um cordeiro (ou tentando roubar minha carne), terei como consolo o fato de estar, bem, vendo Clarice Starling. Quando já me supunha livre de canibalismos, começa a tocar Cannibal’s Hymn, cujo refrão acredito ter sido escrito para a Starling:

But if you’re gonna dine with them cannibals
Sooner or later, darling, you’re gonna get eaten
But I’m glad you’ve come around
here with your animals
And your heart that is bruised but bleating
And bleeding like a lamb

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Hold me closer, tiny dancer

Sábado passado pude ver Elton John executando ao vivo, aqui em São Paulo, algumas das músicas dele de que mais gosto (destaco Tiny Dancer, Good Bye Yellow Brick Road e Believe). O ponto alto do show — pra mim e, acredito, pro casal que estava ao meu lado — foi mesmo Tiny Dancer. Enquanto Elton John cantava o refrão — hold me closer, tiny dancer… — o casal obedecia e se abraçava ao som de uma balada que fez sucesso quando eles (e eu) não éramos nem nascidos. A voz, está claro, não é a mesma do começo dos anos 70: as notas mais altas ou desapareceram ou foram interrompidas antes que faltasse o fôlego. O mínimo que se pode dizer, porém, é que a melodia sobreviveu ao teste dos tempos. Veja a versão original da música aqui.

Outra grande satisfação foi não ter de ser empurrado de 5 em 5 segundos, apesar de estar razoavelmente perto do palco. Roqueiros mundo afora: aprendam com o exemplo de seus pais!

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O Deus Idiota do Rock

Depois ainda dizem que eu implico com rockeiros. Deve ser porque não lêem entrevistas como a que Chris Martin, vocalista do Coldplay, deu à Veja semana passada. Dos muitos assuntos que pessoas potencialmente idiotas (categoria em que todos os rockeiros estão inseridos, ainda que, ou talvez por isso mesmo, tenham um PhD em Stanford) devem evitar, Martin deve ter abordado quase todos.

A primeira idiotice, tão comum que chega a ser aceitável, é dizer que não ouve os próprios discos porque a incessante busca pela perfeição etc. Pode até ser verdade, mas isso não se diz numa entrevista. Não 100 anos depois de já ter ficado claro que esse tipo de comentário não passa de pedantismo barato. A segunda é comentar as eleições americanas. Esse assunto deveria ser proibido entre ‘artistas’. Mas Martin se supera: “Apóio Obama porque sou inteligente.” É claro que, se tivesse dito que apóia McCain porque é inteligente, a resposta teria sido igualmente idiota. Depois dispara os juízos de sempre: Obama tem a mente mais aberta (seja isso o que for) etc. Quando apontam uma aparente contradição, a resposta também é a de sempre: parece, mas não é. Porque eu acho que sim.

Há mais. Leiam aqui.

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Em Má Companhia

A autoridade, ou a falta dela, é um dos atalhos mentais mais úteis que conheço. É claro que ninguém deve defender a pena de morte apenas porque Tomás de Aquino a defendia ou porque Mano Brown a repudia, mas ambas as constatações, ainda que isoladas, deveriam nos fazer desconfiar que há algo de interessante nela. Tudo bem que desconfiança apenas não é suficiente pra mudar de idéia, mas não deixa de ser necessária.

Vejam a situação do rock: eu mesmo gosto de muito rock antigo, mas depois que você vai a um show e se vê cercado de trogloditas imundos e vestidos de preto não há como não concluir que há algo de errado com o rock. Seria muito implausível supor que esse séquito bizarro é obra do acaso, que não há nada na essência do rock que nos leve diretamente a tanta bizarrice. E não adianta pensar ‘poxa, por que eles não agem, pensam e se vestem decentemente como eu?’. Você que é a exceção. Você está errado.

Fiquei com vontade de ler o The Closing of the American Mind, do Allan Bloom, por causa de seus comentários sobre o rock, apesar de eles ocuparem poucas páginas do livro. Mais uma vez parti do princípio da autoridade: se tanto rockeiro chiou é porque ele devia estar certo. Lido o livro, concluo que estava mesmo. Adianto desde já que sou analfabeto em teoria musical (ao que tudo indica Bloom também era) e que isso é irrelevante nas críticas que seguem.

Falei críticas mas na realidade são todas facetas de uma mesma: o rock como gratificação imediata. O rockeiro está tão acostumado à satisfação imediata do ímpeto musical que geralmente se perde ou tem preguiça de acompanhar ‘peças’ com mais de 10 minutos. Se o clímax demora a chegar, perguntam logo: ‘a música não vai começar?’. Já falei aqui do sujeito que gritou ‘Toca Raul!’ no show do Jethro Tull enquanto eles executavam uma versão mais longa e ‘clássica’ (com violinos) de Aqualung.

Bloom observa que nunca antes a música esteve tão presente na vida do jovem; não é incomum ouvirmos declarações do tipo ‘música é a minha vida etc.’ E no entando essa música a que eles se referem é bem restrita, para não dizer rock/blues/jazz apenas. Isso fica fácil de verificar, pelo menos pra mim, quando vejo que conheço mais música clássica (e conheço pouca) do que alguns colegas que conhecem rudimentos de teoria musical e que sabem tocar até mais de um instrumento. A noção corrente é a de que música realmente boa é imediatamente reconhecível como tal; qualquer esforço envolvido significa falha na música, não nossa. Bloom reparou que geralmente era ele quem apresentava Mozart aos seus estudantes fascinados por música.

Qual a relação, então, entre o rock e seus seguidores sinistros? Platão dizia que a música anima os impulsos mais bárbaros no ser humano; sendo assim, parece natural que a música seja tão mais ‘bárbara’ quanto menos tentar disciplinar esses impulsos. Já o rock pode ser definido como a ausência mesma de qualquer disciplina: uivos e grunhidos são aceitáveis caso se coadunem com o ritmo. O costume não é musicar a letra, é letrificar, de maneira inteligível ou não, a música:

Rock music provides premature ecstasy and, in this respect, is like the drugs with which it is allied. It artificially induces the exaltation naturally attached to the completion of the greatest endeavors — victory in a just war, consummated love, artistic creation, religious devotion and discovery of the truth. Without effort, without talent, without virtue, without exercise of the faculties, anyone and everyone is accorded the equal right to the enjoyment of their fruits.

Rockeiros mundo afora: estamos em má companhia. E isso pode significar mais do que parece.

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Diálogos Razoáveis (1)

— Entenda, é carnaval, precisamos de uma música mais animada. Ouço rock, jazz, blues e bossa nova, mas isso agora deixaria a galera morgada, as meninas sonolentas, os velhos dormindo. Carnaval pede agito e animação. Coloca Ivete aí.

— Não.

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A Oeste Daqui

Oeste para nós não significa muito mais que um dos pontos cardeais (ou a civilização ocidental, se o termo estiver em inglês). Para europeus e principalmente para americanos, a coisa é bem diferente. É curiosa a naturalidade com que eles associam idéias de aventura, recomeço e descoberta psicológica ao termo. Não à toa o brasileiro tende a receber com certa indiferença o formato western, enquanto Jorge Luis Borges dizia, se me não engano numa entrevista, que se quisermos encontrar qualquer resquício de heroísmo no cinema moderno devemos recorrer ao bom e velho western.

A noção de heroísmo tal como a entendiam os colonizadores da recém-fundada república norte-americana, ou, mais tarde, os forty-niners do gold rush na California (1849), já nos é pouco compreensível. Já é pouco compreensível até para os próprios americanos, apesar de a terminologia ter permanecido com os anos. Escrevendo pouco depois de 1831, Alexis de Tocqueville listou o ímpeto americano pelo novo e ainda intocado como um dos fatores que ajudariam a manter e a fazer crescer uma república democrática num território tão vasto. No primeiro volume do Democracy in America:

It would be difficult to depict the eagerness with which an American launches himself at this huge booty offered him by fortune. In order to pursue it, he fearlessly braves the Indian arrow and the diseases of the wilds; the silence of the woods holds no surprise for him, nor is he disturbed by the presence of wild beasts; he is constantly spurred on by a passion stronger than the love of life. Before him stretches an almost boundless continent and it is as though, already afraid of losing his place, he is in such a hurry not to arrive late.

É claro que essa urgência toda pode ser interpretada como uma simples ganância por terras, riquezas etc., mas o que Tocqueville deixa transparecer ao longo do texto é que esse aspecto aventureiro do homem (tão caro a ele próprio, um aristocrata francês!, assim como para Borges e a maioria dos chamados críticos da modernidade) foi reduzido a cinzas por todos nós. Em outras palavras, o homem deixou de arriscar sua vida por um ideal (por mais condenável que esse ideal seja) para usufruir da parafernália modernosa.

Como eu dizia, restou a terminologia. Isso ainda é facil de encontrar, principalmente em filmes e músicas. Um trecho da Stairway to Heaven, do Led Zeppelin:

There’s a feeling I get when I look to the west,
And my spirit is crying for leaving.
In my thoughts I have seen rings of smoke through the trees,
And the voices of those who stand looking.
Ooh, it makes me wonder,
Ooh, it really makes me wonder.

Na Budapest, do Jethro Tull, uma das melhores músicas da história do rock:

I thought I saw her at the late night restaurant.
She would have sent blue shivers down the wall.
But she didn’t grace our table.
In fact, she wasn’t there at all.
Yes, and her legs went on forever.
Like staring up at infinity.
Her heart was spinning to the west-lands
and she didn’t care to be
that night in Budapest.
Hot night in Budapest.

O Once Upon a Time in the West, western do Sergio Leone, acabou virando título de uma música do Dire Straits, que de resto já tinha lançado uma Wild West End um ano antes. Para o homem moderno o oeste voltou a ser apenas um ponto cardeal: no mínimo corremos o risco de perder uma boa metáfora.

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Jethro Tull For Dummies

No último final de semana, Jethro Tull, banda veterana do rock progressivo (sempre quis escrever isso, apesar de não ser um jornalista retardado), se apresentou no Credicard Hall, em São Paulo. O repertório parece ter desagradado aos rockeiros de plantão; era composto, em sua maioria, por músicas acústicas ou que se tornaram acústicas graças aos novos arranjos. Aqualung com o solo de guitarra reduzido, arranjo com flauta e violino: um verdadeiro sacrilégio. Um sujeito perdeu a vergonha e gritou: “Toca Raul!” Pois bem, o episódio me traz à memória o show do G3 em que Robert Fripp, do King Crimson, foi convidado. Também foi vaiado, é claro. Na ocasião, Fripp teria dito algo do tipo: “Parece que meus solos não têm notas suficientes para a juventude de hoje.” A nova Aqualung não é suficiente para a juventude de hoje.

Felizmente Ian Anderson não está nem aí e inclusive incorporou a violinista Ann Marie Calhoun à banda, pelo menos para as apresentações ao vivo. Calhoun, como diria o próprio Anderson, fiddles furiously, além de ser lindinha. Como mensagem de despedida aos insatisfeitos, Anderson poderia repetir a música com que abriu o show, Some Day The Sun Won’t Shine For You, do primeiro álbum da banda, This Was (1968):

In the morning – gonna get my things together.
Packing up and I’m leaving this place.
I don’t believe you’ll cry, there’ll be a smile upon your face.

I didn’t think how much you’d hurt me.
That’s something that I laugh about.
Bring in the good times, baby.
And let the bad times out.

That old sun keeps on shining,
But someday it won’t shine for you.
In the morning I’ll be leaving.
I’ll leave your mother too.

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Um Ingrato

Em entrevista ao Fantástico de uma dessas semanas passadas, Roger Waters, ex-Pink Floyd, disse que não concorda com a maneira como o capitalismo se desenvolveu, dando a entender que vivemos numa espécie de concorrência selvagem e intrinsecamente injusta etc. Também não acha que Cuba indicaria um bom caminho, já que por lá não há liberdade de expressão (ainda bem que ele percebeu isso). “Deve haver uma terceira opção”, pontificou ao final.

Resta saber se os habitantes do planeta onde vigora a tal terceira opção também pagariam entre R$ 140,00 e 500,00 para vê-lo em uma de suas apresentações ao vivo, como a do Morumbi do sábado último, que parece ter atraído quase 50 mil pessoas. E se se prontificariam, como nós terráqueos, a comprar mais de 40 milhões de cópias de um único disco de sua ex-banda, o The Dark Side of the Moon, lançado em 1973. O aspecto mais curioso do crítico empedernido do capitalismo é achar que o materialismo grosseiro, supostamente inerente ao sistema, só é repreensível nos outros. Waters poderia deixar de ser tão malcriado e ir criticar algo que não o beneficie direta e ostentosamente.

Isso nos leva à cruzada que Waters tem empreendido contra George W. Bush. Em seus shows pela América Latina, Waters fez questão de escrever mensagens anti-Bush no porco inflável que sempre aparece lá pela metade da apresentação. Em São Paulo, pudemos ler um ‘Bush, nós [brasileiros] não estamos à venda’ – numa provável referência à floresta Amazônica (havia também um ‘Save the Amazon!’) -, ao que poderíamos candidamente responder que, se estivéssemos mesmo à venda, não haveria quem quisesse comprar. Numa música sua mais recente, Leaving Beirut, executada em todos os shows da última turnê, lemos:

Are these the people that we should bomb
Are we so sure they mean us harm
Is this our pleasure, punishment or crime
Is this a mountain that we really want to climb
The road is hard, hard and long
Put down that two by four
This man would never turn you from his door
Oh George! Oh George!
That Texas education must have fucked you up when you were very small

A música narra um episódio de quando ele, passeando por Beirut aos 17 anos, foi gentilmente recebido por uma família local depois que seu carro quebrou. Infelizmente, a boa educação de uma família libanesa, há quase 50 anos, parece ser evidência suficiente de que a guerra no Líbano foi um erro. A música parece ser destinada àqueles que ainda acham que no Oriente Médio só há selvagens sanguinários ou terroristas maquiavélicos. Para quem já tem mais de 8 anos e um raciocínio razoavelmente são, porém, não parece haver conexão lógica entre o episódio e a guerra de 50 anos depois, a qual, lembremos, foi dirigida contra um grupo terrorista que atormenta famílias libanesas como a descrita acima.

Outra faixa fixa em seu repertório é a The Fletcher Memorial Home, lançada pelo Pink Floyd (The Final Cut, 1983), mas de composição exclusiva sua. Um trecho:

And they can appear to themselves every day
On closed circuit T.V.
To make sure they’re still real.
It’s the only connection they feel.
“Ladies and gentlemen, please welcome, Reagan and Haig,
Mr. Begin and friend, Mrs. Thatcher, and Paisly,
“Hello Maggie!”
Mr. Brezhnev and party.
“Scusi dov’è il bar?”
The ghost of McCarthy,
The memories of Nixon.

[…]

Did they expect us to treat them with any respect?
They can polish their medals and sharpen their
Smiles, and amuse themselves playing games for awhile.
Boom boom, bang bang, lie down you’re dead.

Seria o caso de perguntar: ele espera que respeitemos alguém que, além de jogar Thatcher e Brezhnev num saco só, só vê joguinhos de bang bang na presidência de, por exemplo, Reagan? O pai de Roger Waters morreu na II Guerra, de tal maneira que esse pacifismo tresloucado tem ao menos uma origem justificável. Origem apenas. Não parece justificável que alguém com tanta projeção midiática e influência popular insista em se manter tão embaraçosamente desinformado quanto ao que acontece em seu redor. As letras de Waters, que são, quando muito, divertidas e/ou medianas, tinham ao menos a vantagem de ser um pouco mais sutis até certo ponto de sua carreira. A partir do The Final Cut, cujo processo de composição muito sugestivamente não contou com o restante da banda, a panfletagem esquerdosa tomou conta de tudo. Waters faria um enorme favor aos seus fãs (e à humanidade) se comentasse apenas sobre o que entende: música.

Arquivado em:Música, Política

Quote of the day

"All differences of opinion are at bottom theological." Cardinal Manning (1808 - 1892)
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